Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

Prova de Resistência

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Aos sessenta ainda se tenta e aos setenta já só se senta, reza a vox populis. Escrevo, hoje, sem acesso, temporário, à rede global de informação e plágios, o que implica que não vou usar palavras caras e vou demonstrar o verdadeiro ignorante que sou. Quando regressar a casa, acrescento uma citação de Mark Twain ou Fernando Pessoa para dar ares de gajo culto e informado. 

Informado e bem formado, são dois aspectos do indivíduo que andam de patas dadas tal como fidelizar ou ser fiel. Existem pessoas que não foram devidamente fidelizadas e existem os infiéis. Quanto aos primeiros, a culpa não é totalmente deles. Sim, a atribuição da culpa, digam o que disserem, é inerente a qualquer relação amorosa mesmo que de forma involuntária ou inconsciente. Nem que seja numa absurda autocomiseração de choros imberbes e gritinhos estridentes: a culpa é toda minha! (Ler-se, a seguir, a onomatopeia “buaaaaaaaá”. Confesso que roubei o choro de um Pato Donald que jaz ali pelo sofá da minha amiga. Nem sabia que aquela bonecada ainda existia. O nível de citações baixa sem ter o Google à mão.)

Os primeiros, os não fidelizados, não são infiéis. São meramente pessoas que não foram conquistadas e que precisaram de alternativas. São aqueles e aquelas que estavam cheios de fome e deram-lhes um papo-seco com três dias para a saciar. Agradecem, devoram o pão vorazmente mas só até aparecer um suculento bife do lombo ou uma alcatra saltitante. O papo-seco é chutado para canto (ouvi agora notícias do clube dos viscondes na televisão) e o bife assume as funções de goleador. Não existe uma verdadeira infidelidade mas também a honestidade está ausente. E, para relações desonestas, mais vale ir a um bar de alterne e pagar cem euros por uma garrafa de espumante fabricada em Aveiras de Cima. Pelo menos, já sabemos que estamos a ser papados e que não iremos papar nada.

E papar é essencial numa relação. Não para mim que já sou suficientemente blasé para perceber que o sexo está sobrevalorizado quando falamos de amor. É complementar, é uma parte importante, é a odisseia dos elásticos e dos colchetes mas não é tudo. No entanto, duma forma geral, isto não se aplica. Nem todos são a melhor pessoa do mundo como eu. Sou doce, lembram-se? Se não papamos desconfiamos logo duma infidelidade. Sendo assim, papar é o complexo multivitamínico que fortalece a confiança. E não existe algo mais virulento e cancerígeno do que gente desconfiada. Provoca impotência e frigidez. Está provado. E provoca ressacas também quando nos entornamos até à morte por deduções imaginativas ou reais que tirámos.

Primeira conclusão: papar tem que ser regra para quase todos os pombinhos. Come-me e papa-me Joana, come-me e papa-me.

Os segundos, são os infiéis. Antes de me debruçar ou ajoelhar sobre o assunto, irei comprar tabaco e beber uma bica com dois Croft. Escrevo com a mágoa própria de quem tem dor de corno e espero que, com um pouco de álcool, o discurso fique menos sombrio. Afinal de contas, para cortar os pulsos já existem os textos da minha querida amiga e companheira de bloguices. A minha função neste espaço é ser o palhaço e a dela é ser a parte sexy com masturbações, sangue e Gillettes nos pulsos. São 13 horas e 53 minutos.

14 horas e 55 minutos. Cumpri à risca o planeado. Dois Croft, uma bica e um jornal para fingir que estava a ler enquanto ouvia as conversas que decorriam entre os clientes da tasca. Perdão, “Restaurante, Snack-bar”.

Ouvi, como de costume, coisas fantásticas e que ficarão para futuros textos. Não existe nada de tão prolífico como uma tasca. Não me confundam: não sou um berloque de esquerda nem um defensor acérrimo do povo ou povinho. Prefiro mil vezes um restaurante de luxo e não tenho vergonha em o afirmar. Mas uma tasca é algo mágico. Ouvi parte de uma frase que me cativou, dita por um puto a um mentor com o dobro da idade. O mentor era um idiota, o puto era giro. Pena ser hetero. E foi, mais ou menos, isto que o puto disse:

- Quando eu me lembro de coisas antigas com ela, encaro a coisa como uma boa memória. Algo bom que nunca esquecerei, seja um filme ou uma queca. Quando ela fala das mesmas coisas, fico sempre com a sensação de que ela está a dizer que na altura é que era bom e que agora é tudo uma merda.
Achei notável. Costumo intrometer-me nas conversas alheias mas hoje não me apeteceu. O suposto mentor, gajo da minha idade, respondeu com algo profundo como:
- E o Sporting lá ficou pelo caminho ontem…
O puto agradeceu o tempo que o outro lhe dispensou e pirou-se. A namorada deste puto desconhecido tem sorte. E não deve saber.

A sorte é algo importante na fidelidade. Basta um golpe de azar para a nossa paixão descobrir uma alternativa credível e mais tentadora que nós. Passemos aos segundos: infiéis.

Um infiel não é forçosamente alguém que ame menos. Até pode ser alguém que ame mais que um fiel. Mas, e voltando à vaca fria (sem referência alguma às férias da Paris Hilton nos Alpes), a honestidade é tudo. Já sei que sou um chato com esta história mas acho que deve ser dada a possibilidade ao nosso parceiro de saber quais as cartas que estão na mesa. Bluffs, triple bets e afins só mesmo no Texas hold 'em.  E eu não gosto de esperar pelo river para perceber que fui enganado. Basicamente, um big, big blind. Depois destas piadinhas com terminologia do póquer tenho a certeza que vou perder metade dos leitores. Olha, fodam-se e aprendam. Sempre ouvi dizer que não ocupa lugar.

Segunda conclusão: um infiel não é mau, um desonesto é uma estação de produção de resíduos sólidos. E nem todos temos paciência para lidar com cocó.

Terceira conclusão: sou mais denso a escrever depois de beber. Passarei para a Coca brevemente. A Cola, não a outra. Já estou muito idoso para aventuras na neve. Ainda parto uma perna.

Conclusões são algo que se tira e, sendo assim, empobrecem sempre alguém. As erradas empobrecem-nos e as certas empobrecem a nossa companhia. Ou os dois. Odeio gente que depois de nos enforcar ainda tem o desplante de roer a corda.

De pescoço, ou pescoços se considerarmos as partes baixas, partido já estamos. Resta saber se ainda nos resta ar para uma última corrida. As metas a que nos propomos nem sempre estão próximas. E não faltam Carlos Lopes e Rosas Mota pelo caminho para nos demonstrarem que, se calhar, não somos os melhores corredores.

Para tudo há uma solução.

Última conclusão: velocistas derrotados joguem pela resistência, resistentes derrotados apostem na velocidade.


Edição: Apesar das alfinetadas que vou dando à Tangerine, saliento que ela é uma pessoa adorável e uma amizade a preservar. Para quem goste de gajas....
   

2 comentários:

  1. Não se abre o jogo, enquanto não se sabe o se sente.
    Ou porque tem medo.

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