Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

Ser In (trovertido)

+ 3 comentários
Carl Jung difundiu a noção de introversão e a classificação tipológica de Myers Briggs veio colocar em números se um gajo é a alma da festa ou um bicho-do-mato. Sim, usei hífens só para implicar com os gajos do Acordo Ortográfico. Não gosto deles.

De quem gosto muito, é do meu pai e, hoje, chamou-me a atenção para o facto de até aos meus 23 anos eu ser muito introvertido. Diz ainda que me transformei, e com sucesso, num comunicador nato. Bem não disse bem isto, afirmou que me tornei um fala-barato com facilidade em conhecer novas pessoas. Mais um hífen só para foder o juízo aos gajinhos. Chupa A.O.!

Chupa seria uma expressão que eu nunca utilizaria nessa minha fase, estará o meu pai a pensar se ler esta treta. Eu penso o mesmo. Mas o que escrevo não é o que falo. Aqui não tenho o som e a linguagem corporal como suporte para o que transmito. Preciso de alguns pontos que chamem a atenção como os cinco segundos de mamas ao léu que existem em todos os filmes de terror.

A introversão e a extroversão não são uma escolha, ao contrário do que o meu progenitor pensa. Continuo introvertido. Necessito de duas horas de solidão por cada hora de comunidade. Prezo, com toda a força do meu coração, as conversas a dois sejam quais forem as intenções inerentes às mesmas. Gosto de jantares de duas pessoas. Gosto de ter um amigo ou uma amiga. Sacrifico o grupo em prol do indivíduo. Sou, continuo a ser, um introvertido. Não é uma escolha. Tal como a sexualidade, é uma orientação. Mas sou um introvertido que perdeu a timidez. Ou vou tentando perder todos os dias em cada gesto e palavra. Não é fácil mas não vivo sem afectos. Preciso deles como de oxigénio. Introversão não significa, forçosamente, socialmente inadequado. Não o sou. Mas prefiro as conversas a dois, novamente.

Nós, os introvertidos, temos uma propensão natural a alteradores de personalidade. Drogas no seu topo. Sejam elas quais forem e nem sequer é relevante para o tema. Mas a propensão existe. Com o tempo, e depois de muitas atitudes de extroversão tomadas sob efeitos de drogas, aprendemos a parecer extrovertidos mesmo durante a sobriedade. Encarem isso como um treino. Tanto se treina que se aprende a fazer.

Mas, isso não altera quem sou. Saber inglês não faz de mim britânico, tal como saber comunicar e ser extrovertido não faz com que eu deixe de ser introvertido.

E sou-o. É uma orientação.

3 comentários:

  1. "Com o tempo, e depois de muitas atitudes de extroversão tomadas sob efeitos de drogas, aprendemos a parecer extrovertidos mesmo durante a sobriedade."

    LOOOL cuidado que ainda pensam que andas a influenciar o pessoal ao consumo de drogas :DD

    ResponderEliminar
  2. Eu incentivo à lucidez. :) Cada um chega lá como lhe der mais jeito.

    ResponderEliminar
  3. Concordo contigo Medinos, comigo passa-se o mesmo.
    E isso das drogas é verdade, elas dão uma percepção que estamos a viver o mundo ao contrário. Com drogas estou mais confiante e ao fim dum tempo, já não preciso de drogas para ter essa confiança.
    Não quer dizer que não tenha recaídas...
    Consigo meter conversa contigo com a mente, não digo uma única palavra, isto estando lúcida.
    Estando com efeitos de droga, não paro de falar. :)

    ResponderEliminar

Siga-nos por Email