Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

Shut Up and Kiss Me

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Lucas 7:45 Você não me beijou quando cheguei; ela, porém, não pára de beijar os meus pés desde que entrei.
Lucas 7:46 Você não pôs azeite perfumado na minha cabeça, porém ela derramou perfume nos meus pés.
Para quem não conhece o precursor do Facebook, as personagens deste discurso são Simão, Jesus e uma prostituta.

Muito resumidamente, o Simão não deu uma beijoca ao filho de Deus e o gajo ficou sentido. A prostituta, a troco de perdão dos seus pecados, começou por beijar-lhe os pés mas depressa percebeu que aquilo só lá ia com perfume tal era o fedor.

Jesus era um sujeito muito ligado a beijoquices, e eu também gosto, tendo mesmo instituído o osculum pacis também conhecido por ósculo santo. Consistia num chôcho entre os discípulos e o Mestre cada vez que se cumprimentavam. Eram uns queridos. Ao pessoal do Acordo Ortográfico, aquela coisa esquisita na palavra “chôcho” é um acento circunflexo e não é nenhuma grafia dos teutões.

Gostaria de ter sido um discípulo de Jesus. Pão, vinho, putas e gajos a beijarem-se. Ainda por cima, gajos morenos e de cabelo comprido como eu tanto gosto.  Beijar-lhes-ia os pés num instante. E lamberia o resto do corpo debaixo daqueles lençóis ridículos que eles usavam como vestes. Outros tempos, em que a homossexualidade até era patrocinada pelos cristãos. Pelo menos, de forma aberta e não encapotada como nos tempos de hoje. Quo vadis, cu vadio?, era a expressão mais usada nas ruas.

E o que eu gosto de beijos. Pequeninos, grandes, repenicados, silenciosos, linguados, sôfregos, amorosos, provocadores, finalizadores, rancores e desamores.

Gosto do céu da boca, da saliva e da língua alheia. Gosto da simulação de penetração nas bocas que as pessoas mais habilidosas conseguem transmitir. Gosto da paixão e de sentir um micro-ondas junto à braguilha. Gosto do aperto que sinto quando amo. Gosto do desaperto que sinto quando é mera ponta e nada mais. Gosto de escrever a imitar a Tangerine, esse poço de estimulações eróticas na ponta das palavras. Gosto que me beijem. E gosto de línguas.

Há muitos anos que não como uma língua de vaca. Lembro-me que era um dos pratos normais nos restaurantes quando almoçava com os meus avós na Estrada Nacional 1. E há muito tempo que não me tocam vacas, bois, carneiros, ovelhas, cabras, passarinhas, linguados ou qualquer espécie de animal. Creio que me tornei um vegetariano forçado e reduzido a comer grelos e nabos. Pelo menos, é bi-ológico. Assim espero, embora não goste muito de coisas lógicas demais. Fico-me pelo bi. (Toma Tangerine mais uma imitação)

Mas, depois de tudo bem repuxado e espremido, o que gosto mesmo, mas mesmo muito, é de ser beijado.

E uma festinha nos cabelos.


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