Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

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Nunca fui particularmente esperto. Nem perspicaz. Nem inteligente. Nem nada que implique o uso de algo acima do pescoço a não ser os olhos para ver os rabos e mamas que passam.

Sendo assim, vivo cheio de dúvidas. Sou o verdadeiro duvidoso. Ou enduvidado. Endividado também mas isso agora não interessa nada como diria aquela senhora que parece ter sido construída com duas partes de corpos diferentes.

 

Sou um feicebuquiano. Sim, escrevo assim já a prever a próxima merda que a Academia das Ciências vai adoptar como português. Gosto de estar actual. Tudo menos atual. Português com palavras inventadas à mistura ainda vá lá, mas não sou natural de terras de Vera Cruz. Conheci uma Vera, por acaso.

Falava do Face. Conheço o conceito de viral. Ah, uma palavra nova que todos usam. Sou mesmo moderno. Mas não escrevo sobre virilidades mas somente sobre parolices.

Admito, numa pré-adolescência, as imagens dos cãezinhos bebé com laços cor-de-rosa. Admito, ainda, os fins de tarde com um casal de costas em tronco nu e mão dadas. Até, pasme-se, admito parvoíces como “esta pessoa não quer mais sofrer” com uma setinha para a fotografia da autora da mensagem.

Mas adultos? Adultos com frases que nem sei bem onde as foram desencantar acompanhadas de fotografias do mais piroso que existe? Vocês acham mesmo que o vosso alvo vai ligar alguma coisa a isso? Ah, o gajo vai ver a minha imagem dum pôr-do-sol e a frase que diz “ninguém é insubstituível” e vai tremer. Daqui a cinco minutos está a bater-me à porta.

Não, minha querida. Não está. Pode estar a bater uma sueca com os amigos, a bater o couro a uma sueca ou a bater uma a ver uma sueca no youporn,. À tua porta não vai bater, de certeza. Cresce, caralho!


Recorres à citações. Achas mesmo que se tu, de perna aberta e mamas ao léu, não o conquistaste que ele vai mudar de ideias com uma citação do Fernando Pessoa? Rapariga, tem juízo.

Talvez um vídeo da nossa música. Pois...não dá. Infelizmente, ele tirou o som do computador para na casa ao lado não ouvirem os gritos dos vídeos porno que ele está a assistir. Qualquer coisa com som não resulta.

Deixemos as paixões de lado.

No mundo Facebook, chamemos por facilidade de identificação, Face Terra, tudo é lindo.

Na Face Terra, todas as pessoas são boazinhas e dotadas de boas intenções.

Medula óssea, transfusões de sangue, salvar animais, apoiar a causa dos aborígenes que nasceram com três orelhas, alimentar as formigas do Irão, salvar o escaravelho da batata, tudo serve. És um cidadão activo e preocupado. Na Face Terra. Na Terra verdadeira não te poderias estar mais a cagar mas não andas com o teu mural imprimido na t-shirt para os teus amigos verem.

Foda-se! Que filhos da puta de hipócritas.

Ah, desculpem. Fugiu-me. Mas não há outro nome,.

3 comentários:

  1. LOOOOOL

    "Achas mesmo que se tu, de perna aberta e mamas ao léu, não o conquistaste que ele vai mudar de ideias com uma citação do Fernando Pessoa? Rapariga, tem juízo."

    Morri :DDD

    Quanto ao antepenúltimo parágrafo, não podia estar mais de acordo. Como se colocar um "Like" resolvesse todos os problemas à face da terra.

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  2. O antepenultimo paragrafo depende da situação. Por acaso no face existe um grupo onde estou inserido a haver com transfusoes de sangue e medula ossea tendo em conta a acção que vamos fazer a proxima 4ª. Quanto ao resto, acho que o penultimo paragrafo resume tudo.

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  3. Ah e outra coisa que odeio no Facebook.

    No dia da mãe, tudo a colocar fotos das respectivas progenitoras: "Amo-te muito, és a minha vida, não sei viver sem ti, bla bla bla..."

    Ora, as mães dessas pessoas, segundo sei, nem Facebook têm.

    Só colocam aquilo para parecer bem, para os outros verem. Mas claro que nesse dia chegam à beira das mães, dão-lhes uma mala comprada nos "chinos" e dizem "Feliz dia da mãe".

    Não usam aquelas palavras tão carinhosas e verdadeiras.

    É caso para dizer:

    "Foda-se. Que filhos da puta de envergonhados!"

    Ah, e outra coisa, não menos estúpida, é morrer a avó de alguém e esse alguém colocar uma foto no Facebook: "És a minha vida. Como vou viver sem ti?". Apetece-me fazer lá um coment: "A tua avó tem Facebook?".

    Sei que muita gente faz isto e não quero estar a ser cruel, mas acho simplesmente estúpido. São cenas que não fazem sentido nenhum.

    Isto tudo leva-me a crer que esta é uma geração de gente falsa e hipócrita, que não tem coragem de fazer nada cara-a-cara e isto é preocupante.

    Enfim, ficou aqui o meu desabafo. Tinha de ser aqui. Se publicasse isto no meu Facebook corria o risco de ser espancado pelas pitas e pitos que frequentam aquela rede social.

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