Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

Jeremias, a Rã e os Robalos

+ 8 comentários



Jeremias era um bom rapaz. Pacato, vivia da pesca da ameijoa e dos robalos, existindo quem o considerasse um mestre das artes com somente quinze anos. De calções de ganga desfiados, chinelos de enfiar no dedo e t-shirt, Jeremias não era uma estampa de miúdo. Mas, gozava de alguma popularidade entre as mulheres devido à sua enorme simpatia e generosidade.

Um dia, entre grãos de areia e sol estival, conheceu uma rapariga. Apaixonou-se. E o corpo gritava por experimentar os prazeres carnais com a eleita. Ela até queria mas Jeremias tinha um problema: um pénis com 35 centímetros. O que para homens adultos seria uma glória, para ele era uma vergonha e não queria iniciar-se com a namorada enquanto não resolvesse o assunto.

Discutiu o assunto com o seu melhor amigo, o Chico das Cadelinhas, colega pescador e companheiro de desenrascanço.

  • Conheço uma cigana que talvez te ajude, disse o Chico.

Jeremias foi consultar a senhora.
  • O que é que queres? Branca ou castanha?, perguntou a vidente ao rapaz.
  • Nada disso. Tenho um problema, e explicou ilustrando com as mãos o tamanho do dito problema.
  • Fazes assim: vais ao bosque que te vou indicar. Lá encontrarás uma rã – cuspiu para o chão enquanto mencionava o animal – e vais pedi-la em casamento. Por cada vez que ela disser a palavra “não”, o teu penduricalho irá diminuir 5 centímetros. Agora podes pagar.
  • Pagar? Mas eu não tenho nada.

A cigana apontou com o queixo para o saco de plástico que Jeremias trazia carregado de robalos. Reluzentes, fresquinhos e a cheirar a mar. Anuiu e deu os peixes à cigana.


No dia seguinte, Jeremias foi ao bosque que a cigana tinha indicado e encontrou a rã.
  • Queres casar comigo, rã?
  • Não.

O rapaz olhou para dentro das calças. Menos cinco centímetros! Era verdade. Que maravilha!

No dia seguinte, repetiu a pergunta:
  • Queres casar comigo, rã?
  • Não.

25 centímetros. Mesmo assim, era grande demais para o modesto Jeremias. Só mais uma vez, pensou. Vinte centímetros seria um tamanho que já não iria assustar ninguém. Dormiu feliz a pensar na sua iniciação com a namorada.

Mal acordou foi ao bosque. 25 centímetros. Sorriu quando encontrou a rã e perguntou com ar atrevido:

  • Queres casar comigo, rãzinha querida?
  • Não deves ouvir bem. Quantas vezes tenho que dizer que não? Não, não e NÃO!

Cinco vezes não.

Jeremias, antigo pescador popular entre as raparigas, atende agora pelo nome de Joana, a peixeira que um dia quis ser diferente.







8 comentários:

  1. LOOOOL Gostei. Saiu-lhe o tiro pela culatra, atingindo a maçã de Adão. Completou assim a transformação.

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  2. Moral da história: Mudar nem sempre é bom. :)

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  3. Às vezes tem de se esperar. Aquilo que era mentira, pode ser verdade agora. Tivesse ele esperado e as coisas melhoravam. Mas a impaciência humana é grande na tenra idade.

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  4. O ser humano é sempre impaciente Tomás, seja em que idade for.
    Tudo o que é bem feito, demora tempo.
    Tenho pena é do Jeremias, coitado...
    tão novo e já transformado...
    não soube esperar...
    para os segredos da carne provar...

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  5. Medinos tenho aqui algo que se calhar queiras ler. :)

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  6. Caecilia e cada vez fica mais com a rapidez dos serviços, sejam eles quais forem. :^) A paciência cada vez mais se converte na virtude de maior valor, chegando talvez ao equivalente da sapiência ou uma via para a mesma.

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  7. Só agora é que li isto!!!

    LOOOOOL

    O que eu andei a perder... coitado do Jeremias!

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