Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

O Primeiro Beijo do Medinos

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Embora a história do Medinos esteja nos anais da História ou pelo menos na História dos anais, ainda existem aquelas asininas criaturas que não a conhecem.

O Medinos nasceu fruto de uma experiência feita pelos cientistas do glorioso Benfica numa tentativa de reproduzir em laboratório o génio goleador do Jardel. Infelizmente, a única coisa que herdou do ácido desoxirribonucleico do papa-arroz-com-feijão-e-guaraná foi o defeito se referir a si próprio na terceira pessoa.

O Medinos fala assim dele. Sempre na terceira pessoa. O Medinos habituou-se e, hoje em dia, até acha graça. Pode elogiar-se á vontade sem cair no ditado que elogio em boca própria é vitupério.

Mas existiram problemas. Não sei se alguém se lembra de como o Peter Parker se transformou no fabuloso, poderoso, jeitoso de lycra azul e e vermelha, Homem-Aranha? O Medinos relembra. O moço foi mordido por uma aranha.

Pois...

Quando o Medinos estava na sua fase de preparação nos laboratórios do Alto dos Moinhos, e o ADN do Jardel já estava preparadinho, eis que surge, ninguém sabe de onde, a Dolly. Todos se lembrarão da Dolly. A ovelha clone. Não era essa. Na Luz não havia lá muito dinheiro e clonaram uma cabra que encontraram a trabalhar no Monsanto. A cabra estava doida. Doida, mesmo. Escoicinhou, berrou, pulou e até se aleijou. Eventualmente, uma marota gota de sangue misturou-se no preparado que iria fabricar o Medinos.

Assim ele nasceu. Meio Jardel, meio cabra do Monsanto.

O Medinos foi crescendo. Se bem que a sua habilidade com a bola era nula, a sua capacidade de levantar um balneário era notável. Nomes como Fernando Gomes, Calado, Melão, Castelo Branco e o espírito vagueante do Carlos Castro ainda hoje lhe reconhecem o mérito e agradecem. Figuras. Figuras púbicas. Não era o Zé Maria da esquina. Bom. Diz-se que chegou a levantar o balneário com o Cláudio Ramos. O Medinos desmente até porque o Cláudio era capado. O Medinos pede desculpa. Casado. O Medinos está a teclar com o pénis. O Medinos é assim. Non stop. Se não há tertúlia marcha o teclado, o USB, o HDMI e o cabo SCART. Até faz faísca.

O Medinos cresceu. E apaixonou-se. E até conseguiu, durante algum tempo, falar na primeira pessoa.

O que se segue, foi escrito nessa fase e o Medinos pede desculpa por falar duma forma esquisita:

As mulheres são sempre um problema. Ainda me lembro de quando era heterossexual e das lágrimas que derramei em esperas intermináveis por uma mulher certa.


Obviamente que nunca a encontrei e cheguei a pensar que o problema seria meu pois nem sequer me cativavam sexualmente. Frequentei psicólogos, tomei alguns medicamentos conhecidos na praça para a disfunção eréctil mas o máximo que consegui foi uma distensão muscular que me deixou a urinar por uma algália durante vários meses.


Um dia, estava numa casa de banho pública e, sem querer, olhei para o senhor que se encontrava ao meu lado. De repente, dei por mim a admirar aquela genitália como se de o David de Miguel Ângelo se tratasse. Já não me lembro do nome dele mas ainda recordo com carinho o Verão que passámos no parque de campismo da Costa de Caparica. De dia comíamos sardinhas e à noite andávamos na sardinhada os dois. Tinha eu 17 anos.


Até chegar ao meu amor, o António, ainda levei uma vida de alguma promiscuidade e cheguei a viver disso durante algum tempo numa zona perto de Badajoz. Foram bons tempos mas gastava o meu dinheiro todo no El Corte Inglés e em turrón de Alicante. E em algumas cirurgias reconstrutivas quando apanhava algum cliente mais afoito.


O António, já contei como conheci. E somos felizes. O sexo é óptimo pois nós sabemos do que um homem gosta sendo nós os dois homens e, no nosso lar, as coisas estão sempre arrumadas. Nunca está uma Cosmopolitan ou um fio dental fora do lugar. Nisso somos muito parecidos pois gostamos duma casa limpa, arrumada e bem decorada.


Nas próximas noivas de Sto. António vamos casar. Esperamos nós, pelo menos temos rezado à Nossa Senhora todos os dias.


Por isso vos digo, se querem amor arranjem um homem. Comigo resultou.



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