Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

Poeira

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Tenho fama de ser um gajo nervoso. Não o sou. Sou um gajo que tem coisinhas que o enervam. É diferente. E pitas parvas derretem-me as sinapses até ao ponto de chumbo líquido. Nessas alturas, tenho que dar uma chumbada em alguém.

Já passa das quatro da manhã. Na casa ao lado da minha, uma pita tem estado com gritinhos estridentes e encanitantes de falsa alegria há várias horas. Aparentemente, decorre uma festa e ela tem que vir à varanda demonstrar que é uma rapariga alegre e que é uma grande maluca.

Está bem. Aceito. Acho idiota mas aceito. Mas há limites.

Quando ela se lembra de começar a cantar, a gritar, Poeira mais uma amiguinha e a acordar todas as casas à volta, passou a linha que já estava a desfazer-se. Barulho já é incomodativo aquela hora, mas versões caseiras de música brasileira tornam-se desesperantes.

Saio em boxers para o jardim e grito-lhes:

  • Caralho, (*), vai (*) cantar (*) para (*) os (*) Ídolos! (*)...
    (Substituir cada asterico por um “foda-se”)

Ela ignorou-me porque nem sequer é minha vizinha. O dono da casa agarrou-a por um braço e espetou-a dentro de casa. Não ouvi mais nada nessa noite a não ser uma vã tentativa dela de regresso à varanda para cantar Karma Chameleon . Gritou “Cama, cama, berlu, berlu, cami” e para a cama deve mesmo ter ido definitivamente.

Acho estranho esta necessidade de entretenimento obrigatório. É sexta-feira, foda-se, temos que nos divertir. E mostrar aos outros que estamos divertidos. Sobretudo, mostrar aos outros.

Para quê? É necessária aprovação de terceiros para a nossa alegria? Assim parece.

Não querendo entrar muito nos temas da Tangerine, as coisas mais divertidas que fiz não tiveram assistência. No máximo dos máximos, terá sido um ménage à trois. E essa não foi das que eu gostei mais.

Esta é a principal razão de não ser um frequentador de discotecas. Aborrecem-me. Entristecem-me. Futilidade servida em copos de shot de vodka e música a metro estão longe de estar na ementa daquilo que eu considero uma noite bem passada. Ainda há pouco falava com a Tangerine sobre terras britânicas e estar sossegadinho com um netbook num pub enquanto mamava uma pint. É nerd? Um pouco, admito. Mas incomparavelmente mais sedutor do que um desfile de Bershkas, Zaras e Salsas numa discoteca da capital lusa.

E certamente melhor do que ouvir aquela puta a cantar Poeira quase às 5 da manhã.

3 comentários:

  1. Ou que ouvir as mesmas músicas uma semana seguida só com diferentes pessoas atrás do balcão. Até certa idade (não me perguntem qual) é sempre preciso mostrar aos outros. E às vezes, não é só mostrar. É obrigar os outros para mostrar que os próprios são divertidos.

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  2. Eu tenho vizinhos mesmo em baixo, com Singstar que estão constantemente a cantar MAL, as músicas horríveis que aquilo traz. E pensei que já tinhas aprendido como é que se resolvia esse caso. Da outra vez com saquinhos cheios de tinta acalmaram logo a passarinha. :D

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