Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

Ser ou Obedecer

+ 5 comentários

Bebi uma garrafa de vinho. Quando cheguei ao último copo, ao último golo, elevei o copo no ar e disse, com um sorriso: A ti!, pronunciando o teu nome de seguida.


Só posso mesmo rir-me. Embora eu tente optar por textos que não sejam de tão maldizer, torna-se uma tarefa quase impossível quando se vive rodeado de energúmenos. O obscurantismo é moda e veio para ficar. Dir-me-ão que cada um tem o que merece e não o contesto. De igual modo afirmarão que o facto de eu ter tantos ignorantes à volta deve-se a eu ser um deles. Aceito. Mas sou algo.

Ser algo sempre me trouxe dissabores. Ninguém aprecia quem tenha ideias próprias. Bons amigos e funcionários são aqueles que concordam ou obedecem.

Ser ou obedecer, eis a questão. E eu nunca gostei de alinhar pelas multidões. Se há algo que é paradoxalmente estranho é o erro estar quase sempre do lado das turbas. O radicalismo dos grupos lembra-me sempre archotes, forquilhas e clássicos de Victor Hugo ou Mary Shelley.

E, os loucos como Francisco Esperança e afins, estão muito certinhos e alinhados pela pauta destas agremiações de ódio, iliteracia e luso patriotismo bacoco em tudo menos na hora de trabalhar ou pagar impostos. Fazem parte destes grupos. São estas pessoas que eu considero loucas. Loucas e perigosas.

Pobres diabos contestatários como alguns que conheço, não são loucos por terem comportamentos desviantes. São divergentes, desviantes, diferentes ou o que raio quiserem utilizar como adjectivo. São, não obedecem. Pode-se ser e obedecer mas tem que se privilegiar a existência primeiro.

Não escrevi este fim-de-semana. Ver o festival da canção unificado em inglês pareceu-me quase tão absurdo como a participação geriátrica da Rússia ou como os Cavaleiros Clonados da Rabetice Irlandesa. Ridículo. Absurdo. Detestável. Reconheço que estou a destilar ódio mas a futilidade e inexistência dos seres começa a incomodar-me. 
 
A propósito de inutilidades, tenho uma sugestão para o próximo acordo ortográfico. É muito simples: reconhece-se o brasileiro como língua e acabam-se as merdas. Não me incomoda nada. Eles que escrevam e falem com erros. Eles que usem o sujeito na terceira pessoa do singular e o verbo na segunda e vice-versa. Eles que adoptem e adaptem o inglês para ser aportuguesado ou abrasileirado. Eles que façam a merda toda que quiserem. Mas chamem-lhe brasileiro e não português. E pratiquem-no nessa maravilhosa terra em que sempre tiveram mais orgulho dos imigrantes italianos e alemães do que de quem vos descobriu, povoou e vos levou a língua e o catolicismo que tanto estimam.

Os católicos estão na categoria das turbas que referi. O seu perigo e ignorância são evidentes e históricos. Documentados. Entretanto, neste domingo, uma missa foi realizada às escuras numa paróquia de Coimbra para sensibilizar os beatos para as dificuldades dos invisuais. Escondam as crianças e as carteiras.

Por mim, rezo para que essa gentalha toda vá morrer longe. Mas acho que vou rezar a Alá.

Ou ali à tasca.




5 comentários:

  1. Possuir opinião própria é um crime social hoje em dia. Se desse direito a pena, já tinha prisão perpétua segundo alguns colegas meus. Diz-se que a ignorância é uma bênção, mas depende a quem a rogam. Pode ser um perigo.

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  2. "Se desse direito a pena, já tinha prisão perpétua segundo alguns colegas meus."

    Eu também, Tomás. Ou já te esqueceste que me criticaste quando falei no Manuel Luís Goucha e na Casa Pia? :P

    Não leves a mal, foi uma pequena provocação, mas não deixa de ser verdade :)

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  3. Só que eu não segui uma opinião da populaça, esqueceste-te disso. :) Eu critiquei pela forma do uso que me (e este pronome demonstrativo é importante) pareceu errado de uma personagem e assumpção possivelmente falsa com base no preconceito. Eu não levo a mal.

    Além do mais, o problema é a crítica sem justificação e sem fundamento, pelo menos em maior peso para mim. ;)

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  4. Beber ali na tasca é sempre a melhor opção. glup.

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