Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

Ao calor da chuva

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Mais um texto do nosso autor convidado mas que já conhece bem a casa, o Tom.


Chove… As doces lágrimas da chuva escorrem pelo manto negro que envolve o palco onde surge a vida. E hoje a vida dorme, singela e profunda, como nunca antes o fez. Sabe-se que a chuva amolece o coração, apagando as labaredas que consomem o ar e o transformam em calor, mas hoje tal não acontecerá.

Não acontecerá à vida, nem acontecerá a Francisco. O vento quebra a monotonia da ausência de movimento, soprando ora para cá, ora para lá, num zum-zum eterno.

O rio dança ao sabor dos leves passos das amargas lágrimas que desistem da bênção do céu, procurando o desejo, sendo esse terreno como as árvores, cujo fruto, é o sonho.

Francisco acompanha o bailado ritmado e harmonioso da chuva… Cada gota é uma lágrima, cada lágrima, um sentimento, sempre só mais um que se afunda no Rio dos Lamentos.

Cada gota tem a vontade do que não foi dito, o desejo daquilo que não se queria, a vida que se consumiu, o querer de uma alma… Eu queria ser alguém melhor e ter razões para crer que alguém me irá abrigar, quando em meu coração começar a chover… O meu nome é Francisco, e apetece-me morrer.

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