Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

Cosmo Pacheco, Parte 2

+ 2 comentários

Tal como prometido, o nosso autor convidado Bruno Nogueira regressa com a segunda parte da história do maior actor pornográfico português: Cosmo Pacheco.
Para quem perdeu a primeira parte, aqui está ela fresca e lubrificada.

 



Cosmo partira de Pedregulho rumo à capital em busca do sonho de uma vida.
No comboio, e enquanto mordiscava uma sande de chouriça e sorvia vinho tinto directamente do pacote, fazia os seus planos.
Um T0 na Amadora, uma tasca perto de casa e mulheres para satisfazer os seus desejos mais primários, eram tudo aquilo que o nosso herói precisava para ser feliz.
Vestia umas calças de bombazina castanhas que já haviam passado 3 gerações da família Pacheco, uma camisa com padrão xadrez já gasta, e uns sapatos pretos que herdou do tio Edivândio Pacheco, do Brasil.

Cosmo considerava-se um galã, bonito, vistoso. Sabia usar as suas qualidades e potenciá-las para poder tirar vantagem disso. Desenganem-se os que pensam que as calças de bombazina justas ao corpo foram um mero acaso. Mesmo as milhares de pessoas que leram esta biografia até agora, e pensam que Cosmo era nada mais do que um homem rude com um dom de satisfazer mulheres, um pedaço de carne, um predestinado para fornicar, estão enganados. Aliás como vão poder verificar mais à frente.

Do alto da sua guedelha avistou a terra prometida da janela do comboio. Esta cidade vai ser minha, pensou confiante.
Desde a noite anterior à sua partida, onde deixou a sua prima numa cama do posto médico de Redondelas com os quadris deslocados, que não possuía ninguém. Cosmo precisava de sexo como os comuns mortais de água para viver. Avistou então na estação uma bela mulher. Avançou resoluto, e assim que abriu a boca, soltou um hálito a vinho que deturpou os sentidos à jovem e a fez cambalear em direcção à linha do comboio. Cosmo agarrou-a pela cintura e puxa-a para si, apertando-a contra as suas calças justas. A mulher parecia hipnotizada, o olhar turvo, as mãos ásperas e peludas envoltas no seu corpo, os sentimentos contraditórios que lhe atravessavam a mente. Parecia tudo premeditado, ao mesmo tempo tão rápido. Cosmo esse, mantinha-se sereno e convicto que mais uma vez o charme a que nenhuma mulher havia resistido no passado, voltou a resultar. Num hotel de reputação duvidosa, fizeram amor louco e desenfreado durante horas. Cosmo, sabia que tinha cumprido o seu dever de homem e deixou-a inanimada na cama, exausta. Sem se distrair do seu objectivo principal, partiu sem pestanejar, frio, decidido. Deixou um bilhete na cabeceira da cama que dizia "Não me procures, eu encontro-te".

Tudo lhe corria bem nesta nova fase da vida, arranjou um trabalho na câmara, o seu T0 na Amadora e até um fornecedor de vinho que todos os fins de semana lhe deixava 4 garrafões de 5 litros à porta para ele pagar no final do mês. Vivia num sonho, tal e qual havia previsto alguns meses antes de ter deixado Pedregulho. De dia abria buracos na calçada da cidade, à noite os buracos em que Cosmo se metia eram outros.

2 comentários:

  1. Sem Salvaterra de Magos, perde toda a magia... :(

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    1. Creio que isso já é no declínio da carreira do Cosmos.

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