Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

Sacudir depois de usar

+ 4 comentários

Gosto de viver em Portugal apesar do sensato conselho de emigração que todos odiaram mas repetem diariamente nas tascas, autocarros e lares. Aparentemente, só o cavalheiro é que estava proibido de pensar que no estrangeiro existem oportunidades que por cá vão sendo cada vez mais escassas. Gosto do tinto, da praia, dos pregos mal passados e da jihad futebolística. Tudo isso me agrada.

Gosto dos ordenados miseráveis, dos autocarros apinhados de gentes e odores, do pouco que se trabalha e do muito que se protesta. Gosto do meu país.

Mas não gosto de arrivistas.

Um arrivista, para quem o conceito não é familiar, é um videirinho, um trabalhador árduo. Mas com uma diferença, qualquer meio serve para atingir os seus fins e não hesita em o usar para vigarizar o próximo. E, nesta época de crise, os arrivistas multiplicam-se mais depressa do que contas na caixa do correio. Entre eles temos a página de propaganda nacional-socialista do movimento Tugaleaks.

Escrito numa forma populista e repleta de erros factuais e ortográficos, até porque o seu fundador Rui Cruz não sabe fazer melhor, este movimento alegadamente revolucionário dispara para todos os lados com a vã esperança de ganhar a notoriedade suficiente que lhe permita ganhar mais uns tostões. E os habitantes do meu país do tinto e dos pregos vão atrás.

É a chamada carneirada e não me refiro a adeptos do pobre coitado que, literalmente, se espalhou em Camarate. São carneiros porque gostam do conforto que a agremiação lhes proporciona, porque não sabem ou não lhes apetece pensar, porque têm medo da impopularidade que divergir lhes pode conferir.

Os dogmas existem para ser demolidos.

Outra arrivista é a menina Conceição Bernardes, directora da EB1 n.º 2 de Quarteira, do Agrupamento de Escolas Dr.ª Laura Ayres que, posteriormente e para abreviar passará a ser referida como “estupor”.

Os pais duma criança de cinco anos tinham um valor em atraso referente às refeições que a escola fornece. E qual é a solução do estupor? Proíbe a criança de comer, proíbe que terceiros paguem a refeição à menina e senta-a junto dos outros que estavam a comer.
Segundo o estupor o problema está controlado. A maioria dos devedores regularizou a situação e quem não o fez tem ido buscar os filhos à hora do almoço.

E quem está a trabalhar a essa hora, ó meu estupor?
E quem não tem dinheiro e tem que ficar a dever?
E as crianças que têm pais idiotas, que ainda são muitas, e pagam pelos erros dos pais?

É uma escola pública, paga por todos e não te sai do bolso, pá! Também gostarias que os teus fornecedores te cortassem o crédito por, como todas as empresas do Estado, pagares mal e tarde?

Diz ainda, com um ar orgulhoso, que a menina recebeu um sandoca à hora do lanche. Nada mau. Desde as 9 da manhã até às 4 da tarde sem comer. Mas recebeu um pão com margarina.

Margarina, querida Sãozinha, era o que necessitarias enquanto eras estuprada por uma dezena de puros sangue lusitanos.


Nem tudo é mau. Na categoria das páginas de protesto temos o Pikamiolos.
Ao contrário do Tugaleaks, é isenta, escrita num português correcto e limita-se a informar sem fazer juízos de valor. Muito recomendável para aqueles portugueses que o único sítio onde puxam por Portugal é nos estádios de futebol e, fora isso, só sabem dizer mal e bebericar umas Sagres. Talvez ali aprendam o que é, e cito o Pikamiolos, um espaço de lazer, cidadania e reflexão.


Ser cidadão implica direitos e deveres. Mas antes do cidadão, existe o Homem. E um homem não é um carneiro. Nem tudo é preto ou branco e nas áreas cinzentas move-se quem pensa. Cuspir para o alto ou mijar contra o vento sempre foi má ideia mas é preferível do que atolar o livre arbítrio numa sanita pública.

4 comentários:

  1. "...em Camarate. São carneiros..."

    Muito bom :)

    Ass: monky_power

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  2. Sorri, "gargalhei", senti o bichinho na barriga a querer espancar o estupor. Adorei. Muito muito bom.

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